terça-feira, 3 de novembro de 2009

Não sou uma mulher de 140 caracteres

Alguém que sigo no twitter divulgou um link para um texto atribuído ao Jabor com a ressalva de que talvez o texto não seja do Jabor. Esta é apenas uma das pragas da internet. As obras passam a perder a autoria. Ou pior, ganham novos autores. As pessoas se apropriam da ideia dos outros com a maior naturalidade.

Voltando ao texto do Jabor, ou talvez de qualquer outro, achei bastante pertinente. Mesmo sem estar no twitter, ele tem 26 mil seguidores. Dadas as devidas proporções, o meu twitter tem uns 0,0003% de seguidores em relação ao twitter fake do Jabor, mas estou lá e sou real. Estou lá, e nem sei porque. Talvez porque seja da comunicação e hoje as criaturas ficam meio à deriva se não têm orkut — e eu não tenho — se não estão no twitter, facebook e mais este mundo de coisas que na minha opinião no têm sentido, não dizem nada.

É disto que fala o texto. Eu até entro no twitter. Eu tento. Mas não tenho o que dizer às pessoas. Ao menos acho que elas não vão querer saber o que estou fazendo ou comendo enquanto trabalho. Toda vez que entro lá me sinto tão sem conteúdo, tão fora deste contexto. Como não tenho algo interessante para dizer e que acrescente às suas vidas, me calo.

Eu não sou uma mulher resumida, uma mulher de 140 caracteres. O mundo tem que ser mais do que isto. Mais do que pessoas frias sentadas atrás de um computador contado o que fizeram no feriado, que filmes assistiram. E se quebrando para colocar tudo em 140 caracteres.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Vida passando, de novo

Por que será que é tão difícil se encontrar? Não dá simplesmente para abrir a janela e ganhar esse dia lindo, ensolarado e convidativo? Sair a esmo, sem rumo, só aproveitando toda a cor e todo o brilho da primavera.

Esquecer o vil metal, fazer trabalho voluntário, carpe diem. Qualquer coisa que me arranque este vazio mortal do peito, essa sensação de que lá fora tudo é muito melhor. A sensação de tempo escorrendo pelas mãos é horrível. É frustrante.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sinais (do tempo)


Quando era pequena, falava inglês embromation, queria ser ginasta, atriz e modelo, cantava e dançava em frente ao espelho fazendo a escova de cabelos de microfone. Quando tinha uns 11, passava noites em claro escrevendo um livro. Tinha rompantes de grande escritora. Arrancava a folha do bloco, amassava e jogava fora. Adorava máquina de escrever. A máquina era o último grito da tecnologia não disponível lá em casa. Então, a gente dobrava uma folha A4 ao meio – que na época se chamava folha de ofício – fazia um canudo enrolando o papel para ficar curvo na dobra e soltava. Depois, ajeitava a folha sobre a mesa com a volta para baixo. em seguida, era só sair teclando.

O som da máquina de escrever de papel era tudo de bom. Igualzino ao da original. Eu era louca por uma máquina de escrever. Tão louca, mas tão louca que nunca consegui ter uma quando mais desejei. É uma daquelas coisas que não se explica na vida. Fui ter lá pelos 24, quando era uma marmanjona e já era quase mais fácil comprar um PC.

Meus primeiros trabalhos na faculdades foram batidos à máquina e corrigidos com Error-ex. Sim, sou do tembo em que se batia à máquina. Digitar é uma coisa muito moderna. Tenho até curso de datilografia. O curso de datilografia era algo, habilitava a um emprego, um diferencial. O cara que não tivesse estava fora do mercado. Eu tinha. E batia com todos os dedos.

Acho que o exercício com a máquina de papel me impeliu à profissão. Ou talvez fosse apenas um sinal não identificado (do tempo). De qualquer forma, preciso refletir se vou ensinar meus filhos a inventar uma máquina de escrever. E ficar atenta à reação. Vai que eles resolvam ser jornalistas...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Rua Ramalhete


Sem querer fui me lembrar

de uma rua e seus ramalhetes

o amor anotado em bilhetes

daquelas tardes...


Tavito


sexta-feira, 31 de julho de 2009

Medo do tempo

Passei meses remoendo, pensando na proximidade do meu aniversário, no maior inferno astral, às portas dos 40. Agora foi, pluft. Nada mudou. Não tenho mais medo dos 39. Nem mais, nem menos. Agora meu medo é direcionado a esse número cabalístico. No meu dia, fui surpreendida com presentes, mimos da minha amiga querida, do meu amado e companheiro de todas as horas, desenhos puros e genuínos dos meus filhos e até um fofo parabéns a você tocado no piano por telefone. Amigos, família. Que mais uma sub-40 pode querer?

Mas não é fácil, les digo. É que depois de quase quatro décadas, fazer aniversário já não é mais assim o bicho. Ou melhor, depois de quase quatro décadas fazer aniversário é o bicho papão na sua melhor essência: apavorante e medonho! Será que serei jogada em um depósito para quarentões? E, se amanhã inventarem um adesivo com a inscrição 40 ANOS - FORA DE USO para colar nas nossas costas e nos confinarem em um campo de concentração? Ou pior, se resolverem fazer sabão das pobres criaturas que ousaram atravessar esse limiar? É uma fase divisora. Eu, sendo destacada na multidão, dedos em riste apontando para a minha face e vozes gritando em uníssono: qua-ren-tona, qua-ren-tona, qua-ren-to-na!!!

Deus, quando o despertador do relógio irá tocar? Estou delirando. Francamente, se alguém chegar aqui e me disser que está em crise aos 30 eu mando banir! Vão criar vergonha. Mas aos 40, meu amigo, duvido o ser que não tenha titubeado frente a esta idade cruel. Tem que ser muito forte do juízo. No meio da vida, do caminho, da história. Se descuidar, lá se foram outros 40. E é impossível chegar aqui e não colocar tudo na balança, encontros, desencontros. Perdas e desilusões saltam aos olhos com inexorável força nessa hora. Só tenho uma certeza agora: que momento infame que é a crise dos 40!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Voltando à ativa

Este blog está voltando de férias, mas muito devagar... que o frio aqui não está encorajando.

domingo, 12 de julho de 2009

Cheiro de livro novo


Desde pequena sou louca por livro novo. Mais pelo seu cheiro que qualquer outra coisa. Aprendi em Semiótica, com o Capaverde, que a memória olfativa é a maior de todas. Há de ser, pois basta pegar um livro novinho e cheirá-lo para viajar 500 anos num segundo e voltar à infância. É um costume tão enraizado que às vezes nem percebo. Mas não dá para tocar um exemplar sem cheirar. Impossível.


Revista nova também cheira bem. Mas livro é melhor. O odor combinado da tinta e papel me remetem àquele tempo mágico em que um livro era algo distante, quase intocável. Reservado a poucos. Eu gosto de ter meus próprios livros. E morro de ciúme deles. Para emprestá-los, só a alguém muito conhecido, apaixonado por leitura, e que vá cuidá-los. Também prefeiro comprar a pegar emprestado. Assim, posso cheirar à vontade.


Afinal, que graça há em ter lido e não poder ter um exemplar para apreciar (cheirar) depois?